quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Flora cerrada

É o pantanal de minha vida
Este bacanal de meu dia a dia:
A reconstrução pela poesia,
A destruição de meu sertão 

Exceção

Não me basta nascer
Ter nascido é conseqüência
Eu quero viver
Viver numa sequência.
Quero fazer,
Ter minha consciência !!!?

Meu inferior vício ao superior


Minha cachaça, minha esperança.
Em cada garrafa uma crença,
Em cada pensamento de criança,
Um gole me faz sorrir
E um copo me faz cair;
Mas minha alma sobrevive
Aos inúmeros infinitos vícios,
Pois cada cigarro
É cada alegria.
Em cada garrafa,
Em cada tabaco
Formo um laço lascivo,
Formo metal mortal
Com álcool e fogo
Formo minha última vida;
Num último suspiro,
Faço e vivo
Mais um pedido
De mais um perdido.
Entre todos, do que haveria sido
Alguém superior,
Superior ao amor,
Superior a dor,
Superior as obsessões,
Superior as alucinações.
Tão superior aos vícios;
Mas estou perdido,
Inferior aos vícios,
Inferior as obsessões,
Inferior a dor.
Sou mais um inferior
Mendigo, pedinte
De esmolas, de amor

Não tenho nada de poesia, não sou poeta

Tantos falam,
(tantos poetas)
Poetas devem ser infelizes
E jamais satisfeitos.
Então isto comprova
Como sou leigo
E nada tenho de poeta,
Pois sou feliz.

Quando alguém diz
Que para fazer poesia
Precisa de infelicidade
E pensar todo dia.
Então concordo,
Sem nenhuma maldade.

Já que sou feliz
Não sou poeta
E é impossível
Que eu escreva
Poema algum

A ti

Este mundo cabe na palma da tua mão,
Mas de tão vasto é insuportável para teu coração

Tempos e dias

Ontem eu gosto de ser astronauta,
Hoje eu preferirei ser tudo,
Amanhã eu queria ser nada

O homem nu - Capítulo 0

No meio da mata davam para se escutar, os suspiros ofegantes de cansaço dum homem nu, que com passos longos corria, estava obviamente fugindo de algo, talvez estivesse fugindo de uma fera, mas não se podia saber ao certo do que ele corria, nem mesmo ele sabia do que corria. Sabia apenas que devia encontrar um refúgio.
         Ocorreu o fato de que o homem nu esbarrou em uma rocha que precedia uma caverna, foi nesse mesmo local que o homem nu entrou, se acolheu. E lá ficou, quieto, em silêncio, imóvel como as pedras, que escondiam o homem nu.
         Até que, após um dia inteiro, todo o silêncio foi substituído por uma voz grosa e grave: ”Quem se atreves a entrar pele fachada de meu belo e santo lar?”.
         Mesmo assim, o homem nu continuou imóvel, como se nada houvesse acontecido.
         “Hei de te matar, criatura desrespeitosa, se não responderes a minha pergunta”, insistia a voz. Mas o homem nu permanecia imóvel. “Responda-me pecador quem és tu, e o que te traz aqui ao meu lar?”, continuava a perguntar a voz aborrecida, irada, furiosa.
         “Sois Nemrod, filho de Cuch, e estou refugiado aqui porque fujo de algo que me perseguia, pela mata”, respondeu o homem nu.
         “Se és Nemrod,’o valente diante de Javé’,porquê não matou o que te seguia?”, a voz estava mais branda e mais próxima do homem nu, Nemrod.
         “Pois eu sentia certo medo daquilo.”, respondeu o homem nu, com certo aflito no fundo dos olhos.
         “Talvez fossem os seus pecados que o perseguiam isso é o que um pecador colhe: medo e tenta fugir do destino de seus pecados”, disse a voz.
         “Mas, agora que já disse quem sou, diga-me quem vós sois.” Implorou o homem nu.

                                  
                                 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Havia um mar, uma praia,
palavras ao vento, ao léu,
nuvens na água e no céu,
na areia, um pedaço de saia.
Havia ali um momento, um ser,
havia ali alguém a viver.
E era nesse instante que aconteceu,
um homem que foi e venceu.
Alguém forte, de sorte,
com um milhão de amigos,
um milhão de perigos.
Havia ali um calor,
havia um professor

Esse professor capaz de tudo,
capaz de amor,
mais que um poeta sortudo,
um poeta somente,
um poeta que não precisa de poemas e palavras,
basta-lhe os momentos, os sentimentos.

Esse professor que me ensinou
um pouco do muito que tem
e muito me acrescentou.

Um professor de poesia, rebeldia e dislexia.
Alguém capaz de por no bolso um lago,
um certo professor chamado Tiago

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Este mundo cabe na palma da tua mão,
mas de tão vasto é insuportável para teu coração
Minha poesia
é essa tua poesia,
de nossa relação,
de uma confusão,
de uma alegria
Quem busca vestir-se da poesia,
permanece nu.
Quem tira as roupas da poesia,
precisa tirar a própria roupa