terça-feira, 28 de junho de 2011

Áquario de letras

Estou aqui para escrever
Não consigo ter criatividade
Talvez: “só penso em você”
Não, besteira, não é verdade

Tento pôr algo nesses versos
Mas não penso em nada
História com mil universos
Apenas letras para piada

Sentado na beira da cama
Escrevo e vejo um programa
Procuro poesia, só consigo rima
Pode ser falta de vitamina

Não sirvo para o que leio
Apenas sirvo para o que escrevo
Acordado eu não cresço
Isso que faço está feio

Se não quero rimar, por que rimo?
É tudo tão estranho, tão confuso
Tudo é divino, divino o destino
Tudo tão necessário
Necessário seguir seu curso

Nesse aquário de vocabulário
Me sinto solitário no cenário
Este caso milenário
Só pode ser resolvido por um literário 

A espera de uma vida

     Ele esperava ansioso, estava sentado, roendo as unhas, estava suando frio, seu rosto estava encharcado de suor, sua ansiedade era tanta que ele que se levantar e ficou andando de um lado para. O lugar onde ele estava não era uma sala, era um hospital. “Será que ela vai ficar normal”, pensava o homem, “Tomara que tudo ocorra bem”.
     – Senhor se acalme, tudo vai ficar bem – uma mulher tentava acalmar o homem – Tome um copo d’água – a mulher com uma mão segurava o copo, com a outra o abraçava a suas costas tentando acalmá-lo, ele segurou o copo com as duas mãos e tomou a água em um gole só. Pareceu que a água apenas fez com que ele suasse mais.
     – Você acha que ela vai ficar bem?
     – É claro que vai, acalme-se.
     – E ele, você acha que vai ficar normal.
     – Mas é claro que vai.
     Era ansiedade demais para um homem só. Ele já não agüentava mais, então desmaiou nos braços da mulher.
     – Senhor, senhor. Acorde – a mulher usou uma almofada do sofá para abaná-lo, numa tentativa de acordá-lo, jogou um pouco de água em seu rosto, mas ele sequer se moveu, permaneceu imóvel, deitado sobre os braços da mulher.
     Quando o homem acordou estava deitado em um sofá e na sua frente havia uma médica.
     – Doutora. Como ela está?
     – Está ótima.
     – E o meu filho?
     – É um garoto lindo e saudável.
     O homem levantou-se do sofá e deu um forte abraço na médica em seguida abraçou a mulher que estava ao lado.
     – Eu sou pai! – gritou o homem levantando os braços – Eu posso vê-lo doutora? É claro.
     O homem correu para uma sala onde entrou e sua esposa estava deitada em uma cama, segurando um bebê.    
     –Veja meu amor, ele é lindo. – a mulher aproximou o bebê aos braços do homem que o segurou e o beijou na testa.
     – Meu filho. Qual o nome que você escolheu para ele.
     – Lucas. – falou a mulher levando as mãos ao rosto.
     – Lindo nome.
     

Sol no mar

Amo-te tanto, querida Yasmin
Tanto amor,tanta paixão assim
Nunca imaginei amar tanto alguém
Amar o que os olhos vêem
Tanto que parece ser pecado
De você encho meu coração
E Amim mesmo, já apaixonado
Vou pedir perdão
Teus olhos estão em minha mente
Tanto te quero, daria tudo a ti
Contaria aquilo tudo o que vi
Mas não me queres, mesmo que eu tente
Sempre, isso será um tormento
Já não tenho nada
Só o desejo de você
Nunca esquecer esse momento
Tenha certeza: sempre será amada
Jamais vou esquecer
Só vou amar, amar e amar
Apaixonadamente

O homem que se chamava Obrigado

     Ele era filho de Maria, que havia se casado com João, que a deixou quando soube que ela estava grávida, mas não havia motivos até por quê se ele casou-se com ela, era por quê ele queria ter uma vida junto a ela, terem filhos e viverem “felizes para sempre”. Mas não foi isso que aconteceu.Ele a deixou sozinha no mundo. Dizem que já tinha caso com uma tal de Tereza, e quando soube da existência de um filho, fugiu com ela.
     O garoto sem pai chamava-se Obrigado, isso mesmo Obrigado. Não se sabe o porquê da mãe por o nome de um filho de Obrigado, talvez fosse para que o filho nunca se esquecesse de ser gentil e educado, para que sempre agradecesse a um favor. Até por quê o pai não era nem um pouco educado, se fosse não teria deixado a mulher sozinha no mundo com seu filho.
     Ele sempre era muito discriminado na escola pelos amigos por causa do nome, eles sempre agradeciam falando muito alto, como se estivessem chamando-o, e ele sempre atendia o chamado, em vão, mas mesmo assim ele gostava de seus amigos ficarem chamando-o o tempo todo. Ele achava legal ficar escutando seu nome em tudo que era canto daquela cidadezinha de interior.
     Obrigado cresceu. Sua mãe sempre quis que ele fizesse faculdade, apesar de que o sonho de Obrigado era ser dono de um bar.Mas mesmo assim, Obrigado fez faculdade, e como não havia universidade em sua cidade natal, ele viajou para capital, que era cidade grande, para poder fazer a sua faculdade. Na capital, como era cidade grande, todas as pessoas não se conheciam, e não eram tão educadas como na cidadezinha do interior, por isso eram raras as vezes que se escutava a pessoas dizerem seu nome. Mas foi lá onde ele conheceu uma mulher, pela qual ele se apaixonou.
     Ao acabar a sua faculdade, Obrigado voltou a sua cidade natal, e foi lá onde se casou com Comlicença, a mulher que havia conhecido na capital. E foi por lá que ele continuou vivendo sua vida com sua mulher, ganhava a vida como dono de um barzinho. Ele às vezes esquecia-se de que seu nome era Obrigado.As pessoas o chamavam: “Obrigado!”, e ele respondia: “Não há de que”.
     O casal “educado” , como era chamado na cidade, teve um filho, como não podia ser diferente, deram-lhe o nome de Por favor. As pessoas ao passarem pela família falavam: “Com Licença, por favor, Obrigado”.
     Obrigado continua vivendo na cidadezinha com sua mulher e seu filho, cuidando do barzinho que cresceu, virou bar restaurante. E vive com o sorriso na cara, feliz da vida, até mesmo na hora das dificuldades.
     E é essa a história da vida do Homem que se chamava Obrigado.         

Ela, Gabriela

Quando conheci Ana
Ela era linda demais
Parecia feita de porcelana
Até eu conhecer Joana
Que me fez sonhar
Ela me fez voar
Tão mais bela que Ana
Mas depois veio Tereza
Que era muito mais
Dona de extrema beleza
O tempo passou, veio Maria
Amei só por um dia
Depois ela se foi e me deixou
Conheci a querida Vanessa
Uma esbelta burguesa
Que ao saber de minha pobreza
Se foi e eu fiquei sofrendo
Fiquei sozinho, morrendo
Até descobri o verdadeiro amor
Com a extrovertida Gabriela
Era única, e somente ela
Tinha aquele calor
Só seus olhos tinham aquela cor
Com ela descobri amor de verdade
Mas depois fiquei apenas com saudade
Quando tive de ir embora
E conhecer muitas outras
Mas nenhuma igual a ela
Nem Berenice ou Eneida
Ou outras Terezas, outras Vanessas
Muitas Anas e Joanas
Mas nenhuma Gabriela
Igual a ela  

O admirador do sol

Todos os dias, Pedro ia para algum lugar ver – aliás, admirar – o pôr-do-sol, às vezes ele ia para o campo, para a praia, para a serra, fosse qual fosse o lugar, o importante era admirar o sol. E após ele voltar para a casa, escrevia páginas e páginas de louvor ao sol. Ele amava o sol, e o sol também parecia amá-lo.
Ana amava Pedro, sempre indo atrás dele, ela era linda, educada, um amor de pessoa, mas Pedro nunca percebeu isso, pois ele não via nada além do sol, achava que o amor de Ana era apenas amizade. Ela sabia que o amor de Pedro era o sol, fazia de tudo para ocupar o lugar do sol no coração dele. Ana sempre tentava ficar ao seu lado de dia, mas de dia ele estava admirando o sol, então devia ser de noite, mas de noite Pedro estava escrevendo sem parar, ele estava sempre ocupado com o sol, sete dias por semana e vinte e quatro horas por dia.
Ao perceber o amor de Ana, Pedro viu que o amor que ele sentia por ela era maior que o amor que sentia pelo sol.
    
O sol esperou o dia todo, mas ele não chegou Pedro havia esquecido do sol, seu amor era outro.
O sol a cada dia estava mais fraco, a cada dia sua luz diminuía e o seu calor também. Houve um dia que o sol, de tamanha depressão, não apareceu, e a lua teve de trabalhar o dia inteiro, no caso, a noite inteira.
No dia seguinte o sol voltou a brilhar, mais reluzente do que nunca. O sol havia arranjado um novo admirador. E Pedro havia arranjando uma nova admiração.
           

Descobri tudo (o plano)

Sendo impossível viver
Neste estado irreversível
Ainda sem saber
Choro e grito
Descubro o mito:
Minha vida é uma piada
Sem graça, muito errada

O super-herói

Todos os dias ele acordava cedo e ia trabalhar – era oficial do exército. Tinha pouco tempo com sua mulher. Afinal trabalhava sete horas por dia e durante seis horas por dia ele era o “guerreiro urbano” que protegia a cidade dos bandidos, mas ninguém sabia qual era sua verdadeira identidade. Todos sabiam que ele era humano até porquê ele fazia tudo com as próprias mãos, não usava armas, nem tinha super poderes.
     A cidade – antes dele – era um caos. A cidade tinha três milhões de habitantes, desses, dois milhões e meio eram viciados em droga e todos os dias morriam duzentos e cinco pessoas, ou de overdose ou assassinadas. Mas eis que surge do nada um herói, que diminui o número de dois milhões e meio de drogados para quinhentos, e o número de duzentos e cinco pessoas mortas por dia, cai para cinco.
     Todos adoravam esse tal de guerreiro urbano. Todos os dias ele era a primeira capa do jornal, havia blusas, bonecos, fantasias, revistas baseadas nesse super-herói, ele era um sucesso, era conhecido em todo país, empresas queriam contratá-lo para ser o seu garoto propaganda, mas nesse caso com quem os empresários deviam fechar o contrato?
     A cidade que antes estava em ruínas, hoje parecia uma utopia, o paraíso. Havia um problema: estava havendo superlotação nas cadeias, logo esse problema foi resolvido com construção de novos presídios.
     Surgiram outros problemas. Como em todo lugar, onde há um herói, há um vilão. E foi o que aconteceu. Vilões começaram a surgir numa tentativa de tomar o lugar do grande herói e mostrar para todos que ele não era indestrutível.
     Agora ele não tinha mais tempo para salvar a cidade, apenas para salvar a própria pele, sempre fugindo dos vilões.
     Ele tentou se aposentar, mas todos já sabiam qual a sua verdadeira identidade.
     As pessoas viram que os vilões eram melhores que o herói e passaram a torcer pelos vilões, agora toda a cidade estava contra o herói, que agora era visto como vilão pela população. Todos queriam matá-lo, então ele teve que tomar decisões drásticas para problemas catastróficos. Ele passou a usar armas para destruir os vilões e toda a cidade estava contra o herói.Todos que o viam queriam matá-lo, e ele revidava.
     Havia começado uma guerra civil que se alastrou pelo país, a grande maioria da população queria matá-lo, mas havia uma pequena parte que estava seu favor. As pessoas estavam se matando por culpa de um homem que queria salvar uma cidade do caos e logo todo o país estava contaminado pelo caos.
     Ele tentou salvar o que estava em ruínas, mas acabou piorando o que já estava ruim.
     Com pouco tempo apareceu um grupo de heróis que queria salvar o país, e a história se repetiu. Dessa vez era todo o mundo que estava em caos.